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Empresária foge para o Piauí após torturar doméstica grávida, é capturada e chega algemada a São Luís

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Empresária foge para o Piauí após torturar doméstica grávida

Carolina Sthela foi capturada em Teresina tentando fugir e responde por cinco crimes, incluindo tentativa de homicídio triplamente qualificado

Uma empregada doméstica de 19 anos, grávida de cinco meses, foi agredida e torturada pela própria patroa em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís (MA), no dia 17 de abril de 2026. O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação de áudios em que a suspeita, a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, de 36 anos, narra as próprias agressões e admite ter escapado da prisão no mesmo dia por ter amizade com um policial que atendeu a ocorrência.

Após quase três semanas do crime, Carolina foi presa na manhã desta quinta-feira (7), em Teresina, no Piauí, onde estava hospedada na casa de familiares. Transferida de helicóptero para São Luís, chegou algemada à sede da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA). O policial militar Michael Bruno Lopes Santos, também suspeito de participar das agressões, se entregou à polícia no mesmo dia.

O crime

Segundo o relato da vítima, na manhã de 17 de abril ela foi acusada pela patroa de ter furtado um anel. Carolina Sthela a submeteu a quase uma hora de espancamento — puxões de cabelo, socos, murros e pisões nos dedos. A jovem tentou proteger a barriga durante todo o tempo. A joia foi encontrada dentro de um cesto de roupas sujas, ainda na própria residência. Mesmo assim, as agressões continuaram.

A vítima afirmou que foi ameaçada de morte caso contasse à polícia o que havia acontecido. Ela trabalhava há pouco mais de duas semanas na casa, acumulando funções — faxina, cozinha, lavagem e passagem de roupas e cuidado do filho de seis anos da empresária — em jornadas de quase dez horas diárias. Recebeu R$ 750 no total, pagos de forma fracionada por meio de transferências em nome de terceiros.

“Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo.”

— trecho de áudio atribuído a Carolina Sthela, obtido pela TV Mirante e anexado ao inquérito policial

Fuga e prisão

Após o crime, Carolina e o marido excluíram todos os perfis pessoais e da empresa nas redes sociais. A empresária deixou o Maranhão e passou a ser monitorada pela Polícia Civil enquanto estava em Teresina. Segundo o delegado Yan Brayner, diretor de inteligência da Polícia Civil do Piauí, ela foi abordada em um posto de combustíveis próximo à sede da Secretaria de Segurança Pública do estado, quando aparentemente se preparava para partir. O marido e o filho de seis anos estavam no carro no momento da abordagem.

A defesa negou que ela estivesse fugindo, alegando que Carolina estava no Piauí porque não tinha familiares no Maranhão para ficar com a criança. Em nota pública, a empresária afirmou que repudia qualquer forma de violência e pediu que não haja “julgamento antecipado” enquanto a investigação corre.

Depoimento à polícia

Em depoimento de pouco mais de uma hora na 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy — responsável pelo caso —, Carolina não confirmou que os áudios divulgados sejam de sua autoria e solicitou que o material passe por perícia. Segundo ela, o anel que motivou as acusações contra a empregada estava avaliado em R$ 5 mil. A empresária também declarou estar grávida de três meses e com problemas de saúde, como pressão alta e infecção urinária. A Polícia Civil informou que a gestação não foi confirmada até o momento.

A defesa de Carolina, em sentido contrário, afirmou que a cliente confessou participação nas agressões.

Cinco crimes investigados

A Polícia Civil do Maranhão investiga Carolina Sthela pelos crimes de tentativa de homicídio triplamente qualificado, cárcere privado, calúnia, difamação e injúria. A classificação de tentativa de homicídio triplamente qualificado é aplicada quando há indícios de intenção de matar combinados com agravantes previstos em lei: motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.

O policial e a omissão no atendimento

Os áudios atribuídos a Carolina revelaram que ela não foi conduzida à delegacia no dia do crime porque o policial que atendeu à ocorrência era seu amigo. Segundo ela própria, o agente reconheceu que, pelos hematomas visíveis na vítima, a empresária deveria ter sido detida — mas não tomou a providência.

O policial militar Michael Bruno Lopes Santos se apresentou à polícia na quinta-feira (7) com mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça. Em depoimento, negou ter agredido a vítima, mas confirmou que conhecia Carolina há seis anos e que esteve na casa dela na manhã das agressões para entregar documentos a pedido do marido. A Polícia Militar do Maranhão abriu sindicância para apurar a conduta de quatro PMs que atenderam à ocorrência.

Histórico da investigada

Carolina Sthela não é desconhecida da Justiça. Dados da Receita Federal apontam que ela foi sócia de duas empresas encerradas em 2024 por omissão de declarações. Além disso, ela e o marido foram condenados por desvio fraudulento de mais de R$ 20 mil da academia de natação de sua própria irmã, onde atuava como assistente de RH — os valores das mensalidades eram desviados para contas pessoais do casal. Mesmo com esse histórico e as empresas baixadas, ambos continuavam oferecendo serviços de consultoria financeira na Grande São Luís.

Repercussão e projeto de lei

O caso ultrapassou as fronteiras do Maranhão. No Congresso Nacional, o Projeto de Lei 2.243/2026 foi apresentado como resposta direta às agressões sofridas pela doméstica. A proposta prevê prioridade no atendimento a trabalhadoras domésticas vítimas de violência, criação de canais seguros de denúncia, integração entre órgãos de fiscalização e assistência social, e endurecimento das penas para crimes cometidos nesse contexto.

As investigações seguem em andamento pela 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy (MA).

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