Fim das isenções pode encarecer energia solar
O governo federal, por meio do Ministério da Fazenda, indicou que estuda reduzir ou extinguir benefícios fiscais concedidos a consumidores que geram sua própria energia elétrica via sistemas solares. A proposta afeta residências e pequenas empresas que instalaram painéis solares sob o regime de geração distribuída — ou seja, que produzem energia conectada à rede. A mudança, ainda em estudo, ganha relevância porque pode alterar a viabilidade econômica de sistemas de energia solar no país.
Revisão de benefícios: o que está em jogo
Segundo o portal ND Mais, os usuários que instalaram sistemas até janeiro de 2023 contam com isenções de tarifas de uso da rede e têm direito à compensação integral da energia excedente. Essa estrutura está sob análise pelo governo, que considera se o setor já está maduro o suficiente para crescer sem tanta intervenção pública.
Especialistas alertam para os possíveis efeitos: o consultor André Hummel afirma que “o custo dos equipamentos tende a subir, o que muda completamente o cálculo de viabilidade dos projetos, especialmente para pequenos e médios negócios”.
O reflexo é direto: com o fim ou a redução dos incentivos, quem instalou ou pensa em instalar sistemas de energia solar pode enfrentar aumento no custo inicial ou menor retorno no investimento.
Panorama de mercado e dados relevantes
O setor conta com mais de 3,5 milhões de sistemas instalados no Brasil, de acordo com a entidade Absolar. A Absolar alerta que uma mudança abrupta nos estímulos pode gerar insegurança regulatória, freando novos investimentos. Ainda, o cronograma que define até quando os incentivos são válidos — previsto na Lei nº 14.300/2022 — está em discussão.
Segundo cálculos da Fazenda, os subsídios concedidos para usuários de geração própria somam R$ 14,3 bilhões entre este ano e os próximos. Um dos cenários avaliados prevê a redução dos benefícios entre 2026 e 2029, em vez de mantê-los até 2045.
Possíveis impactos e desdobramentos
Para usuários residenciais e pequenos negócios que planejaram com base num cenário de estabilidade regulatória, a revisão pode gerar insegurança — tanto para quem já investiu quanto para quem estava planejando investir.
No lado oposto, o governo enfrenta o dilema clássico de combinar arrecadação vs. estímulo à energia limpa. Em um contexto de necessidade de ajuste fiscal, há pressão para que incentivos sejam reduzidos ou eliminados.
O que vem pela frente
Ainda não há um decreto ou medida oficial consolidando as mudanças anunciadas — trata-se de sinalização preliminar do governo. O cronograma previsto, segundo fontes ligadas ao setor solar, poderia começar a valer a partir de 2026. A forma exata e o alcance da revisão — se total ou parcial, gradual ou imediata — ainda serão definidos em legislação ou regulamentos.
Para quem está no setor: é momento de acompanhar de perto as novas normas, revisar contratos e cálculos de retorno para sistemas de energia solar. Para os responsáveis por formulação de políticas públicas, o desafio consiste em equilibrar a sustentabilidade do sistema elétrico e o estímulo à transição energética.
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