Quem são os candidatos a deputado estadual com base em Canaã dos Carajás em 2026?

Quatro nomes disputam o espaço. Mas a conta é dura: a cidade mais rica do Pará nunca elegeu um deputado na história
Canaã dos Carajás produz minério de ferro que movimenta bilhões, sustenta o PIB do Pará e aparece nos relatórios da Vale para investidores do mundo inteiro. Na política estadual, porém, a cidade segue invisível. Apesar de ser um dos principais motores econômicos da região, Canaã ainda nunca conseguiu eleger um deputado que realmente represente a cidade na Assembleia Legislativa do Pará.
Em 2026, quatro nomes disputam o direito de mudar esse tabu. O cenário, porém, é mais complexo do que parece.
Os candidatos
Eugênio Gadelha — MDB
É o candidato com maior estrutura política na largada. Ex-secretário municipal de Obras, Eugênio deixou o cargo e se filiou ao MDB para disputar uma vaga na Alepa, carregando a experiência administrativa acumulada na gestão de Canaã e o apoio declarado da prefeita Josemira Gadelha, sua esposa. Tem a máquina do governo municipal ao seu favor, aliança costurada com o deputado estadual Ivanaldo Braz, e um discurso de levar o modelo de Canaã para o Pará. É o favorito declarado da situação.
Anderson Mendes — Pré-candidato a Deputado Estadual
Confirmado pelo próprio perfil oficial @anderson_mendes_canaa no Instagram, Anderson já circula com arte de campanha e identidade visual consolidada. Está na oposição ao governo municipal e tem como bandeira principal o combate às irregularidades na gestão local. Criado em Canaã dos Carajás, usa o enraizamento na cidade como argumento central de sua candidatura. Recentemente recebeu em casa o senador Zequinha Marinho, sinalizando articulações políticas em nível estadual.
Oribes Primo — PDT
Ex-secretário de Habitação de Canaã, Oribes tentou uma cadeira na Câmara em 2024 e obteve 802 votos, sem conseguir se eleger nem alcançar a primeira suplência. Seu nome circula como candidato ao estadual, mas parte de uma base eleitoral frágil e sem estrutura partidária de apoio no município.
Chefinho — União Brasil
Vereador Ademirson Alves Borges, o Chefinho, tem longa trajetória na política local: foi ex-bancário, ex-presidente de associação de moradores, da Liga Esportiva e do Corinthians Sporting Club Canaânense, além de ter passado pela Secretaria de Obras e de Finanças da Prefeitura. Obteve 1.615 votos em 2024, sendo o vereador mais votado do União Brasil. Tem nome conhecido na cidade, mas analistas avaliam que, sem o apoio da máquina municipal — que já tem candidato definido —, converter votos locais em força estadual será um dos principais desafios da sua campanha.
A conta que ninguém quer fazer em voz alta
Por décadas, os eleitores de Canaã viram seus votos diluídos entre candidatos de outras regiões ou espalhados entre várias lideranças locais, o que impediu que o município alcançasse o quociente eleitoral necessário para uma cadeira na Alepa.
O histórico mais recente é elucidativo. Segundo dados do TRE-PA (Eleições 2022), Jeová Andrade obteve 44.102 votos em todo o estado, sendo 21.103 deles — 60,84% — vindos de Canaã dos Carajás. Mesmo assim, ficou de fora: foi o 14º mais votado do MDB, partido que elegeu 13 deputados, a cerca de três mil votos de uma cadeira na Alepa. (Fonte: Tribunal Regional Eleitoral do Pará — tre-pa.jus.br/eleicoes/eleicoes-anteriores/copy_of_eleicoes-2022)
O problema é matemático. Canaã tem eleitorado, mas historicamente fragmenta seus votos. Com quatro candidatos locais disputando ao mesmo tempo, cada um pesca uma fatia — e nenhum chega lá.
O que está em jogo de verdade
Eleger o primeiro deputado estadual seria uma vitória simbólica e estratégica: garantiria voz ativa na gestão dos royalties da mineração, permitiria negociar diretamente a aplicação dos recursos do CFEM e afastaria a dependência de intermediários políticos de outros municípios.
A cidade mais rica do Pará em produção mineral segue pedindo favor para políticos de fora cada vez que precisa de algo na Alepa. Isso pode mudar em outubro — ou não.
Se Canaã conseguir concentrar seus votos e superar a fragmentação partidária dos últimos anos, o resultado das urnas não será só uma vitória de um grupo, mas a ruptura de um tabu que dura mais de 30 anos.
Reportagem: Ana Reis Notícias | Canaã dos Carajás, Pará | 16 de abril de 2026
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