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Colapso do PSB no Pará: desmonte político enterra projeto para 2026 e trai legado de Arraes

Por AnaReis Notícias | anareisnoticias.com.br | 5 de abril de 2026 | 4 min de leitura | 101 views
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AnaReis Notícias, Rádio Poderosa FM 95.9 e RedeTV Karajás entrevistam a presidente do CREA-PA na segunda-feira (02)

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) vive, no Pará, um dos momentos mais constrangedores e melancólicos de sua história recente. O que deveria ser um projeto de fortalecimento e protagonismo eleitoral para 2026 terminou em um verdadeiro colapso político, marcado por desarticulação, fragilidade e abandono de lideranças.

A deputada federal Andréia Siqueira, que ocupava a presidência estadual do PSB, protagonizou uma passagem relâmpago e, em um movimento que expõe a crise interna da legenda, retornou ao MDB, seu partido de origem. A filiação, registrada na Justiça Eleitoral no município de Tucuruí no dia 2 de abril de 2026, escancara o esvaziamento da sigla a poucos dias do encerramento da janela partidária.

Com a saída de sua principal liderança recente, o PSB mergulha em um cenário de absoluta incerteza. Sem nomes competitivos, sem densidade eleitoral e sem articulação política consistente, o partido corre sério risco de sequer participar de forma relevante da disputa proporcional no Pará em 2026.

Nos bastidores, a avaliação é dura e unânime: faltou comando, sobrou improviso. A incapacidade da nova direção em montar uma chapa competitiva para deputado federal foi determinante para o fracasso. O resultado foi um efeito dominó que desmontou, em poucos dias, o que levou anos para ser construído.

E é justamente nesse ponto que se evidencia o contraste gritante. O ex-prefeito de Marabá e ex-deputado estadual João Salame havia conduzido, com esforço e visão estratégica, um amplo trabalho de reorganização do PSB no estado. Durante dois anos, percorreu os municípios paraenses, dialogou com lideranças, estruturou bases e preparou o partido para um projeto ambicioso: eleger ao menos seis deputados estaduais e dois federais.

Todo esse trabalho, porém, foi simplesmente implodido por uma condução política errática e sem compromisso com o futuro da legenda. O que se vê agora é o resultado de decisões precipitadas, ausência de liderança firme e total desconexão com a realidade eleitoral.

O prazo final para filiações — encerrado em 4 de abril — apenas consolidou o cenário de terra arrasada. Sem tempo para reação, o PSB ficou imobilizado, assistindo ao esvaziamento de seu próprio projeto.

Há ainda rumores de uma possível reaproximação com grupos políticos específicos, mas, mesmo que isso ocorra, dificilmente produzirá efeitos concretos a curto prazo. O dano já está feito — e é profundo.

Diante desse cenário, a crise do PSB no Pará não é apenas eleitoral, é simbólica. É o retrato de um partido que se afastou de sua essência e de sua história. Um partido que já teve como referência nomes como Miguel Arraes, símbolo de resistência, coerência e compromisso com o povo, hoje assiste à própria fragilização diante de decisões políticas frágeis e desprovidas de grandeza.

Como resumiu Clebson Carvalho, antigo filiado do PSB em Canaã dos Carajás, em tom de indignação:
“Com um barulho desses, Miguel Arraes deve estar se revirando no túmulo.”

O PSB, que já foi protagonista, hoje corre o risco de se tornar irrelevante. E, no ritmo em que caminha, pode chegar a 2026 não como força política — mas como exemplo de como não conduzir um projeto partidário.

Carlos Magno
Jornalista DRT/PA 2627

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Redatora, colunista e repórter

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