Projeto prevê cursos de inteligência artificial, programação e mineração 4.0; implantação requer recursos públicos, parcerias acadêmicas e adesão de empresas, visando jovens paraenses
O candidato a deputado estadual Eugenio Gadelha (MDB) incluiu a criação de um Polo Tecnológico de Carajás entre as principais propostas para a juventude do Sul e Sudeste do Pará. O projeto pretende aproximar formação profissional, pesquisa, empreendedorismo e demandas do mercado de trabalho regional.
De acordo com o plano de mandato, o polo teria atuação inicial em Canaã dos Carajás e Marabá. A proposta prevê a instalação de ambientes para incubação de startups, aceleração de negócios, pesquisa e desenvolvimento, além da formação de profissionais para atividades de maior conteúdo tecnológico.
O projeto inclui cursos técnicos e profissionalizantes em programação, inteligência artificial, robótica, energias renováveis e mineração 4.0. A intenção é estabelecer parcerias com instituições como IFPA, Senai, UFPA e Unifesspa, além de escolas técnicas estaduais.
Também estão previstas bolsas de estudo e vagas de estágio em empresas associadas ao polo. Segundo Eugenio, a estratégia busca conectar a formação dos estudantes às oportunidades disponíveis no mercado de trabalho.
Diversificação econômica
Em entrevista à Gazeta Carajás, Eugenio relacionou os investimentos em educação e inovação à necessidade de preparar a região para um futuro menos dependente da mineração.
“Uma região forte não pode pensar apenas no presente. Precisamos planejar o futuro. A base desse desenvolvimento deve incluir investimentos em infraestrutura, educação, inovação tecnológica e meio ambiente. A alternativa econômica à mineração passa por essas áreas”, afirmou.
A proposta parte do diagnóstico de que municípios como Canaã dos Carajás e Parauapebas concentram grandes operações minerais, mas precisam estimular outras atividades capazes de gerar emprego e renda no longo prazo. Nesse cenário, o polo poderia apoiar empresas voltadas à automação, ao monitoramento ambiental, à agricultura de precisão, à logística e aos serviços digitais.
A referência está em Pernambuco
O Polo Tecnológico de Carajás é inspirado no Porto Digital, instalado na capital pernambucana Recife. Criado em 2000, o distrito encerrou 2025 com 541 empresas, mais de 24 mil trabalhadores e faturamento de R$ 7,4 bilhões.
A dimensão alcançada pelo modelo recifense, porém, não significa que os mesmos resultados seriam automaticamente reproduzidos no Pará. A consolidação de um parque tecnológico exige continuidade administrativa, infraestrutura, formação de profissionais, investimento em pesquisa e participação permanente do setor privado.
Papel parlamentar
Como deputado, Eugenio Gadelha se comprometeu a apresentar projetos, propor emendas ao orçamento, fiscalizar políticas estaduais e articular o Governo do Pará, a União, as prefeituras, as instituições de ensino e as empresas interessadas no sentido de implantar o Polo Tecnológico.
O plano indica que essa articulação envolveria também instituições de financiamento à ciência e à inovação, como a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
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