Pará reduz queimadas em 67% em 2025 — e Canaã dos Carajás tem papel central nessa virada
Foto: Foto: Victor Moriyama/GreenpeaceFoto: Victor Moriyama/Greenpeace
Dados do INPE revelam queda histórica nos focos de incêndio em todo o estado. Na região dos Carajás, brigada ambiental do município atendeu mais de 300 ocorrências em 2024 e, só em 2025, já registrou mais de 80 ações. Parceria com a Vale reforça estrutura de combate ao fogo.
Por Ana Reis | Ana Reis Notícias | Canaã dos Carajás, Pará
O Pará registrou em 2025 a maior queda de queimadas de sua história recente. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), os focos de incêndio no estado caíram de 55.298 registros em 2024 para 18.011 em 2025 — uma diferença de mais de 37 mil focos a menos. Na Amazônia como bioma, a redução chega a 78%.
Na Serra dos Carajás, o cenário local acompanha a tendência estadual. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Canaã dos Carajás (SEMMA) mantém uma Brigada Ambiental ativa desde 2018, que em 2024 atendeu mais de 300 ocorrências de queimadas. Só em 2025, já foram registradas mais de 80 ações da equipe, composta por 13 profissionais capacitados que atuam em mais de 900 hectares de áreas protegidas do município, como parques e reservas verdes.
Além da área protegida, a brigada também dá suporte a ocorrências na zona urbana e rural, em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Pará. A maioria das denúncias chega pelo canal exclusivo de WhatsApp da Fiscalização Ambiental, o Disk-Denúncia: (94) 99126-7492, com garantia de anonimato.
O que explica a queda?
O coordenador do Programa de Monitoramento de Queimadas do INPE, Fabiano Morelli, aponta três fatores combinados: a ausência de fenômenos El Niño ou La Niña em 2025, que manteve temperatura e umidade em níveis normais; as políticas públicas de prevenção estaduais; e o menor acúmulo de biomassa após os grandes incêndios de 2023 e 2024.
No Pará, o Programa Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (PEPIF), lançado em 2025 pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (SEMAS) em parceria com o Corpo de Bombeiros, organizou o trabalho em quatro eixos: monitoramento em tempo real, prevenção baseada em ciência, resposta rápida e capacitação de brigadistas locais.
O resultado é expressivo também na extensão dos danos: em 2024, foram registrados 24.278 km² de cicatrizes de incêndio no Pará. Em 2025, esse número caiu para 2.079 km² — redução de 91%.
Canaã reforça estrutura com apoio da Vale
Em março de 2026, a Prefeitura de Canaã dos Carajás, por meio da SEMMA, assinou Termo de Doação com a mineradora Vale, que repassa equipamentos para o fortalecimento da brigada florestal do município. O pacote inclui quadriciclo, caminhonete, drones, motosserra, abafadores e Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), além de duas capacitações técnicas para a equipe.
“Nós já nos programamos internamente para dispor desses equipamentos, e essa parceria com a Vale vai reforçar ainda mais a nossa atuação”, afirmou o secretário municipal de Meio Ambiente, Marcus Vinicius.
A memória de 2024: quando o Parque Veredas foi ameaçado
A queda de 2025 ganha peso quando comparada ao que a cidade viveu em setembro de 2024. Imagens de satélite indicaram dois grandes focos de incêndio em Canaã dos Carajás, localizados na Fazenda Umuarama, no Parque dos Campos Ferruginosos e no Parque Veredas — área de extrema importância ecológica. Além dos focos rurais, pequenos incêndios na zona urbana aumentaram consideravelmente a temperatura e a cortina de fumaça na cidade.
“É um momento muito crítico não apenas na nossa região, mas em todo o Brasil”, declarou o secretário Marcus Vinicius na ocasião. O episódio mobilizou equipes da SEMMA e do Corpo de Bombeiros para conter as chamas.
O que ainda preocupa no sudeste do Pará
Apesar dos avanços, pesquisadores alertam que a microrregião de Parauapebas — que inclui Canaã dos Carajás — enfrenta pressão ambiental estrutural. Estudos baseados em dados do MapBiomas mostram que entre 1985 e 2022 a área urbanizada da região saltou de 9 km² para 87 km², reflexo direto da expansão minerária e agropecuária. As unidades de conservação, incluindo a Floresta Nacional dos Carajás, funcionam como escudo — mas o entorno segue pressionado.
A rápida urbanização impulsionada pela mineração e a falta de infraestrutura são apontadas como desafios críticos para a prevenção de incêndios florestais no município, segundo pesquisa publicada em 2025.
Como denunciar queimada em Canaã
A população pode colaborar denunciando queimadas ilegais pelo Disk-Denúncia da SEMMA: (94) 99126-7492. O anonimato é garantido.
A maioria dos focos registrados tem origem em lotes urbanos com vegetação alta, cuja limpeza é obrigação do proprietário. Conforme a Lei Municipal nº 694/2015, os terrenos devem ser mantidos limpos, sob pena de multa de 100 UFMs (aproximadamente R$ 2.323). Queima de entulhos, resíduos ou vegetação também é proibida e sujeita a responsabilização administrativa e criminal, conforme o Decreto Federal nº 6.514/08 e a Lei Federal nº 9.605/98.
Fontes: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) — Programa Queimadas; Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (SEMAS); Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Canaã dos Carajás (SEMMA); MapBiomas Coleção 08; Correio de Carajás; Portal Canaã.
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