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Carlos Magno entrevista José Sarney: bastidores da política, democracia e memória do Brasil.

Aos 95 anos, Sarney mantém lucidez impressionante e compartilha reflexões pautadas pela experiência de mais de seis décadas de vida pública

Redator Por Redator
14 de janeiro de 2026
Em Política
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Foto: Ex-presidente da República José Sarney,

Foto: Ex-presidente da República José Sarney,

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O jornalista Carlos Magno, de Canaã dos Carajás (PA), realizou uma entrevista com o ex-presidente da República José Sarney, em que o ex-chefe de Estado revisitou momentos decisivos da história do Brasil e falou sobre temas políticos, institucionais e pessoais atuais. Aos 95 anos, Sarney mantém lucidez impressionante e compartilha reflexões pautadas pela experiência de mais de seis décadas de vida pública.

A seguir, as perguntas formuladas pelo jornalista:

1. Presidente, após 21 anos de regime militar, o senhor foi o primeiro civil a assumir a Presidência. Como foi essa transição do autoritarismo para a democracia?

Sarney:
A transição foi um momento de enorme responsabilidade histórica. O Brasil vinha de duas décadas de autoritarismo, e a sociedade clamava por liberdade. Quando Tancredo e eu vencemos a eleição indireta, simbolizamos a esperança de um país que queria reencontrar sua democracia. Com a morte de Tancredo, coube a mim conduzir esse processo. Não tive um minuto de hesitação: meu compromisso era cumprir o desejo do povo brasileiro. Governar naquela hora significava reconstruir instituições, respeitar a vontade nacional e proteger a democracia que renascia.

2. O senhor recebeu do governo Figueiredo uma hiperinflação. Como se deu a criação do Plano Cruzado com Dilson Funaro?

Sarney:
A hiperinflação era um monstro que devorava a economia brasileira. Quando convidei Dilson Funaro para o Ministério da Fazenda, ele me disse: “Presidente, temos de tentar algo novo”. Criamos o Plano Cruzado porque o Brasil precisava respirar. Foi uma construção coletiva, com economistas do governo e técnicos extremamente competentes. O congelamento de preços e salários foi uma aposta ousada, mas necessária.

3. O que deu certo e o que deu errado no Plano Cruzado I e II?

Sarney:
O que deu certo foi a esperança. O povo sentiu, pela primeira vez em muitos anos, que a inflação poderia ser controlada. O erro foi acreditar que o congelamento poderia durar indefinidamente. A economia reagiu, surgiram distorções, e tivemos de ajustar o plano com o Cruzado II. Mas digo sempre: enfrentamos a hiperinflação desarmados e sem manual. Fizemos o possível para estabilizar o país.

4. Na convenção do PDS, é verdade que o senhor compareceu armado?

Sarney:
É verdade. A convenção foi tensa, e eu sabia que havia grupos radicais contrariados com minha posição. Levei uma arma porque, naquele ambiente, a prudência recomendava que eu estivesse preparado. A política brasileira, naquele tempo, tinha suas sombras. Felizmente, nada aconteceu, e a história seguiu seu rumo.

5. Durante a internação de Tancredo, houve resistência à sua ascensão à Presidência?

Sarney:
Houve debates, inquietações, ruídos. Era natural. A situação era inédita. Mas a Constituição era clara: o vice assume. E eu sempre deixei claro que governaria em nome do compromisso que representávamos juntos. A legalidade prevaleceu.

6. Como foi assumir o cargo em meio à comoção nacional pela morte de Tancredo?

Sarney:
Foi a maior dor da minha vida pública. Tancredo era meu amigo, meu líder e um homem de grandeza ímpar. Assumir sua cadeira, em meio ao choro de um país inteiro, foi uma experiência humana devastadora. Mas era preciso governar — e governar pelo Brasil que ele sonhou.

7. O senhor e Antônio Carlos Magalhães eram grandes amigos. Como descreve essa amizade?

Sarney:
ACM era um homem de coragem, ousado, leal. Tivemos momentos de tensão — naturais na política —, mas nunca rompemos a amizade. Ele tinha uma inteligência fulgurante e uma capacidade de trabalho extraordinária. Foi, sem dúvida, um dos grandes homens públicos de seu tempo.

8. Como o senhor recorda do ex-senador Romeu Tuma, diretor-geral da Polícia Federal em seu governo?

Sarney:
Tuma foi uma reserva moral do Estado brasileiro. Leal, sério, discreto. Modernizou a Polícia Federal, profissionalizou quadros, introduziu métodos modernos de investigação. Era um homem que honrava a função pública.

9. De onde surgiu a ideia da construção da Ferrovia Norte-Sul?

Sarney:
O Brasil vivia de costas para si mesmo. O Norte e o Nordeste estavam isolados das grandes rotas de integração. A Norte-Sul nasceu desse diagnóstico: era preciso ligar o país pelo interior, abrir caminhos para a produção, diminuir desigualdades regionais. Concebi a ferrovia como um eixo estruturante do desenvolvimento nacional — e ela está cumprindo seu papel.

10. Como se deu o restabelecimento das relações com Cuba?

Sarney:
O Brasil não podia continuar isolado de países com os quais sempre manteve relações históricas e culturais. A reaproximação com Cuba foi um gesto de soberania e de maturidade diplomática. Conversamos de maneira franca com Fidel Castro e restabelecemos relações sem alinhamentos automáticos — apenas com respeito e diálogo.

11. Como o senhor analisa o Mercosul, o G20 e o BRICS?

Sarney:
A Declaração do Iguaçu plantou a semente de um sonho: que a América do Sul fosse protagonista de seu destino. O Mercosul é uma conquista. O G20 e o BRICS ampliaram esse horizonte. O Brasil precisa estar no centro desses diálogos, porque o mundo do futuro será multipolar.

12. Como foram as escolhas dos ministros do STF durante seu governo e como o senhor vê o impasse envolvendo a indicação de Jorge Messias?

Sarney:
A escolha de ministros do Supremo exige prudência, estudo e serenidade. Nomeei juristas de altíssimo nível. Sobre o impasse atual, penso que as instituições não podem ficar reféns de disputas políticas. O presidente indica, o Senado sabatina. Cada um cumpre sua função. É assim numa democracia madura. Acho que o Presidente Lula escolheu um nome — o do
Dr. Jorge Messias — que preenche todas as exigencias constitucionais. Trata-se
de uma pessoa de reconhecida cultura juridica e comportamento moral
irrepreensível.

13. Como era sua relação com o presidente da Câmara Ulisses Guimarães e os presidentes do Senado José Fragelli, Humberto Lucena e Nelson Carneiro?

Sarney:
De enorme respeito. Ulisses foi o maestro da Constituição. Nelson Carneiro, o defensor heroico dos direitos da mulher. Fragelli e Lucena eram homens de diálogo. A convivência institucional era pautada pela responsabilidade com o país.

14. O senhor presidiu o Senado quatro vezes. Como vê as divergências atuais entre Davi Alcolumbre e o presidente Lula?

Sarney:
Divergências são naturais, mas não podem ultrapassar limites institucionais. Presidente da República e presidente do Senado devem dialogar sempre. Democracia não é unanimidade — é convivência civilizada.

15. A Constituição de 1988 continua atual?

Sarney:
Sim. É a Constituição cidadã. Vive, respira, se adapta. O que precisa ser corrigido, corrige-se por emenda. O que precisa ser preservado, preserva-se. Mas ela continua sendo o maior instrumento de proteção dos brasileiros.

16. Como o senhor vê as sanções dos EUA contra o ministro do STF Alexandre de Moraes?

Sarney:
Sanções unilaterais contra autoridades de outros países não contribuem para o diálogo entre nações soberanas. O Judiciário brasileiro é independente. Cabe ao Brasil julgar seus próprios magistrados, não a potências estrangeiras.

17. Como o senhor analisa a tarifa de 50% imposta pelo governo Trump a produtos brasileiros?

Sarney:
É uma medida protecionista, fruto de disputas geopolíticas. O Brasil deve defender seus interesses e buscar diálogo — como o presidente Lula tem feito. Comércio internacional é construção diária.

18. Como é sua relação com o presidente Lula?

Sarney:
Respeitosa e cordial. Lula sempre me tratou com amizade, e acompanho com atenção seu trabalho. Ele me convidar para a inauguração da Norte-Sul foi um gesto de reconhecimento a um projeto que concebi para o Brasil.

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19. Qual a importância de Dona Marly Sarney em sua trajetória?

Sarney:
Marly é o amor da minha vida. Minha companheira há mais de 70 anos. Sem ela, eu não teria caminhado metade do caminho. Sempre esteve ao meu lado, nas tormentas e nas bonanças. Ela é a fortaleza da nossa família.

20. Marimbondos de Fogo é seu maior trabalho literário?

Sarney:
É, talvez, o mais conhecido. Mas cada livro tem sua história. Sou antes de tudo um escritor que entrou na política — não o contrário. A literatura é minha pátria íntima.

21. Como o senhor recebeu o Tetra da Libertadorese o título brasileiro do Flamengo, e o acesso do MAC à Série C?

Sarney:
Com enorme alegria! O Flamengo é uma paixão antiga, e o MAC é minha identidade maranhense. Ver os dois vencer é como reviver a infância e a maturidade ao mesmo tempo.

22. Como tem sido sua experiência nas redes sociais?

Sarney:
Surpreendente. Descobri um espaço de diálogo direto com as pessoas. A tecnologia aproxima — e também eterniza. Gosto de compartilhar reflexões e memórias.

23. Que mensagem o senhor deixa aos maranhenses que vivem em Canaã dos Carajás e Parauapebas?

Sarney:
Digo a meus conterrâneos: nunca esqueçam suas raízes. O Maranhão é uma terra de resistência, cultura e dignidade. Honrem nossa história e continuem contribuindo para o desenvolvimento do Pará, que é hoje um dos motores do Brasil.

Nota do jornalista

Entrevistar o ex-presidente José Sarney sempre foi um sonho de infância. Cresci vendo-o fazer campanha política ao lado do meu saudoso pai, Manoel Paulo de Oliveira, em Santa Luzia (MA). Hoje, poder entrevistá-lo como jornalista representa não apenas a realização desse sonho, mas também um marco de grande significado pessoal e profissional.

Agradeço profundamente ao ex-presidente Sarney pela atenção e gentileza, especialmente neste momento em que acompanha o tratamento de sua filha, a ex-governadora Roseana Sarney. Ainda assim, fez questão de abrir espaço em sua agenda para esta conversa. Registro também minha gratidão ao seu assessor pessoal, Wanderley Azevedo, cujo apoio foi essencial para que esta entrevista se concretizasse.

José Sarney mantém o posto de maior personalidade política viva do Brasil — um símbolo histórico cuja presença atravessa governos, crises, transições democráticas e gerações inteiras da política nacional.

Desejo vida longa, saúde e serenidade ao ex-presidente José Sarney.

Por Carlos Magno
Jornalista – DRT/PA 2627

Tags: históriaJosé Sarney
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