Irã avança com plano de pedágio no Estreito de Ormuz em meio a escalada de ataques com Israel

Navio militar transita pelo Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico — Foto: Sahar AL ATTAR / AFP

Comissão parlamentar aprova proposta inicial para taxar passagem de navios em rota vital para 20% do petróleo mundial; país sofre bombardeios e retalha contra Israel e alvos no Golfo
A Comissão de Segurança do Parlamento do Irã aprovou nesta terça-feira os planos iniciais para impor pedágio ao tráfego de navios no Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica responsável pelo escoamento de 20% do petróleo comercializado globalmente. A informação foi divulgada pela agência de notícias Fars, afiliada à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).
A proposta, que ainda precisa ser votada pelo plenário do Parlamento iraniano para entrar em vigor, prevê também a proibição da passagem de embarcações dos Estados Unidos e de Israel pelo estreito. A medida formalizaria um sistema de cobrança que já vinha sendo aplicado informalmente pela IRGC, com tarifas que podem chegar a US$ 2 milhões (cerca de R$ 10,4 milhões) por viagem.
Ataques aéreos atingem infraestrutura iraniana
A aprovação na comissão ocorre em meio a uma intensa escalada de violência na região. Segundo autoridades locais, ataques aéreos conduzidos por forças americanas e israelenses atingiram instalações militares na região estratégica de Isfahã e deixaram “fora de serviço” uma central de dessalinização na ilha de Qeshm, localizada no próprio Estreito de Ormuz.
Os bombardeios também danificaram uma das maiores empresas farmacêuticas do país. A agência Fars relatou ainda quedas de energia “em algumas áreas” da capital Teerã nesta terça-feira.
De acordo com o New York Times, citando um oficial militar americano, os EUA bombardearam um depósito de munições em Isfahã com bombas antibúnker de 907kg. A cidade abriga um dos três locais de enriquecimento de urânio atacados pelos Estados Unidos durante a guerra de 12 dias entre Irã e Israel em junho do ano passado. Acredita-se que parte do urânio enriquecido iraniano esteja armazenada no local, e os EUA já sugeriram que poderiam apreendê-lo com forças terrestres.
Irã retalha e países do Golfo interceptam mísseis
Em resposta aos ataques, Teerã lançou uma ofensiva contra o centro de Israel. Países do Golfo Pérsico afirmaram ter interceptado mísseis iranianos durante a operação de retaliação.
Segundo a agência de notícias iraniana Isna, que citou fonte do Ministério da Saúde local, os danos causados à central de dessalinização em Qeshm não poderão ser resolvidos “em curto prazo”, o que pode comprometer o abastecimento de água potável na região.
Trump alterna entre ameaças e sinais diplomáticos
Os ataques ocorrem um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar “obliterar” a Ilha de Kharg, instalações elétricas e de petróleo e usinas de dessalinização iranianas caso um acordo não seja alcançado “em breve”.
No entanto, as mensagens da Casa Branca sobre um possível fim para o conflito são contraditórias. Segundo o Wall Street Journal, Trump teria dito a seus assessores que optará pela diplomacia em vez de ação militar para conseguir a reabertura do Estreito de Ormuz.
Legalidade questionável e isolamento internacional
Especialistas alertam que uma ação unilateral do Irã para impor pedágio no Estreito de Ormuz não seria considerada legal pelo direito internacional e poderia isolar ainda mais o país no cenário global. A passagem marítima é considerada água internacional, e sua livre navegação é garantida por convenções internacionais.
O estreito tornou-se um dos principais pontos de tensão do conflito. Nas últimas semanas, o Irã atacou embarcações na região, enquanto Washington exige que Teerã permita a livre circulação de navios de todas as nações.
Apesar dos esforços diplomáticos de países do Oriente Médio, o conflito não dá sinais de distensão após mais de um mês de hostilidades que paralisaram a economia global e deixaram milhares de mortos.
Com informações das agências Fars, Isna e New York Times
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