Encerrados, há menos de duas semanas, os desfiles das escolas de samba do Carnaval carioca, organizados pela LIESA, a Unidos do Viradouro sagrou-se campeã. Beija-Flor de Nilópolis e Unidos de Vila Isabel completaram o pódio, confirmando, mais uma vez, o brilho daquele que muitos consideram o maior espetáculo da Terra.
Entre alegorias monumentais, enredos arrebatadores, baterias pulsantes e rainhas deslumbrantes, um personagem essencial voltou a chamar a atenção do público: o intérprete oficial — o eterno “puxador” de samba.
A história da Marquês de Sapucaí é marcada por vozes que se tornaram patrimônio cultural do Brasil. Desde 1982, quando comecei a acompanhar atentamente o Carnaval carioca, testemunhei verdadeiras lendas da avenida.
Nomes como Jamelão, voz imortal da Mangueira por 57 anos; Quinho, que conduziu o Salgueiro ao inesquecível “Explode Coração”; Dominguinhos do Estácio; Aroldo Melodia; Neguinho da Beija-Flor; Preto Joia; Paulinho Mocidade; Wantuir; Rixxah e Gera — este responsável por eternizar “Kizomba, a festa da raça”, em 1988 — ajudaram a consolidar a chamada era de ouro dos desfiles. Muitos deles laureados com o tradicional Estandarte de Ouro, o “Oscar” do Carnaval.
Mas o Carnaval é renovação. E em 2026 uma nova safra de intérpretes mostrou que o bastão está em boas mãos.
Campeão pela Viradouro, Wander Pires confirmou sua condição de gigante da Sapucaí. Dono de voz firme, segura e emocionante, conduziu a escola com autoridade e sensibilidade, mantendo o público conectado do início ao fim.
Na Beija-Flor, a dupla Jéssica Martin e Nino do Milênio assumiu a missão nada simples de suceder Neguinho. E o fez com brilho. Entrosados, vibrantes e tecnicamente impecáveis, mostraram que a tradição pode dialogar com a renovação sem perder identidade. A química da dupla contagiou a avenida.
Outro nome que merece destaque é Pixulé, intérprete da Paraíso do Tuiuti. Mesmo sem figurar entre as cinco primeiras colocadas, protagonizou um dos momentos mais marcantes do Carnaval 2026. No aquecimento para o desfile, ao interpretar o samba-enredo com voz e violão, entregou uma apresentação emocionante, histórica. O narrador da TV Globo, Alex Escobar, chegou a classificar a performance como impressionante.
O intérprete é a alma do desfile. É ele quem sustenta o canto da comunidade, dita o ritmo da emoção e transforma poesia em arrepio coletivo.
Que essas novas vozes tenham vida longa, saúde na garganta e inspiração infinita.
O Carnaval agradece. A Sapucaí reverencia.
Carlos Magno
Jornalista – DRT/PA 2627
Observador do Carnaval carioca desde 1982
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