Belém (PA) – O secretário-executivo da ONU para Mudanças Climáticas, Simon Stiell, enviou uma carta contundente ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, cobrando providências urgentes diante das falhas de segurança e dos problemas estruturais registrados nos primeiros dias da COP30, realizada no Parque da Cidade, em Belém. O documento também foi encaminhado ao presidente da conferência, André Corrêa do Lago.
A Casa Civil confirmou o recebimento da mensagem.
ONU alerta sobre “brechas graves” na segurança após tentativa de invasão
Stiell relatou no documento que a tentativa de invasão à Blue Zone ocorrida na noite de terça-feira (11), quando cerca de 150 ativistas entraram no pavilhão da conferência, gerando tumulto e deixando pelo menos dois seguranças feridos, expôs “brechas graves” no sistema de segurança.
Segundo o secretário, havia efetivo policial no local, mas a ação não foi contida a tempo. Ele também mencionou novos protestos ocorridos na manhã seguinte, desta vez dentro de uma área que deveria ser restrita.
“Isso contraria o plano de segurança”, escreveu Stiell.
Entre as vulnerabilidades apontadas pela ONU, estão:
- portas sem monitoramento,
- contingente de segurança insuficiente,
- ausência de garantias de resposta rápida das forças federais e estaduais.
Problemas estruturais também preocupam a ONU
Além da segurança, o secretário-executivo destacou problemas de infraestrutura registrados nos últimos dias, como:
- calor excessivo em diversos pavilhões,
- falhas nos sistemas de climatização,
- infiltrações após chuvas,
- riscos ligados à proximidade de água com instalações elétricas.
Delegações estrangeiras também expressaram preocupação com as condições dos escritórios disponibilizados.
Stiell solicitou que o governo brasileiro apresente, ainda hoje, um plano detalhado de melhorias a ser comunicado às delegações.
“A transparência em nosso processo é de suma importância”, concluiu o secretário.
Resposta da Casa Civil
Em nota, a Casa Civil da Presidência da República afirmou que “todas as solicitações da ONU têm sido atendidas” e informou que não participou das decisões operacionais das forças de segurança durante o protesto.
O órgão ressaltou que a segurança interna da Blue Zone é de responsabilidade exclusiva do Departamento de Segurança e Proteção das Nações Unidas (UNDSS).
Após reunião entre representantes federais, estaduais e ONU, foram adotadas as seguintes medidas:
Reforço da segurança
- Reavaliação e ampliação do efetivo policial nos perímetros Laranja e Vermelho;
- Ampliação da distância entre a Blue Zone e a Green Zone;
- Ação conjunta da Força Nacional e da Polícia Federal;
- Instalação de gradis, barreiras metálicas e estruturas de contenção adicionais.
Melhorias de infraestrutura
- Instalação de novos aparelhos de ar-condicionado;
- Envio de unidades extras do modelo sprint para áreas com problemas de climatização;
- Reparos imediatos em goteiras e calhas rompidas no Media Center e no Posto de Saúde 2;
- Monitoramento diário entre governo e UNFCCC para ajustes operacionais.
A Casa Civil nega que tenha ocorrido alagamento e afirma que as falhas foram pontuais.
Como ocorreu o protesto dentro da COP30
O incidente aconteceu por volta das 19h20 de terça-feira. Um grupo numeroso se aproximou da entrada principal da Blue Zone, passou pelos portões e chegou à área dos equipamentos de raio-X. Houve confronto direto com seguranças da ONU e do evento.
Vídeos mostram que a mobilização começou com manifestantes trajando roupas indígenas. Em seguida, grupos estudantis e movimentos contrários à exploração de petróleo também avançaram, mas foram contidos.
Após a dispersão, a entrada de trabalhadores noturnos foi temporariamente suspensa.
Um porta-voz da ONU informou que:
- os protocolos de segurança foram seguidos,
- o local está “totalmente seguro”,
- dois seguranças tiveram ferimentos leves,
- houve apenas danos estruturais mínimos.
Atendendo a pedido da ONU, a Polícia Federal abriu inquérito, requisitou as imagens internas e externas e vai investigar a invasão.
Marcha Saúde e Clima nega envolvimento
Mais cedo, o Parque da Cidade foi o destino final da Marcha Global Saúde e Clima, que reuniu cerca de 3 mil pessoas em um percurso de 1,5 km.
A organização da marcha divulgou nota negando qualquer relação com o episódio da Blue Zone:
“As organizações que integram a Marcha Global Saúde e Clima não têm qualquer relação com o episódio ocorrido na entrada da Zona Azul da COP30 após o encerramento da marcha.”
Participaram da manifestação médicos, enfermeiros, estudantes, lideranças indígenas e movimentos sociais que pedem políticas públicas de saúde frente às mudanças climáticas.
Por Carlos Magno
Jornalista – DRT/PA 2627











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