Um grupo de estudantes do Colégio João Nelson dos Prazeres Henriques protagonizou, nesta quinta-feira (19), uma verdadeira vigília em defesa de um cão abandonado na Avenida Weyne Cavalcante, no centro de Canaã dos Carajás (PA). O animal, visivelmente debilitado e possivelmente acometido por leishmaniose (calazar), permaneceu por horas deitado na calçada de um supermercado, sem atendimento imediato por parte do Centro de Controle de Zoonoses.
O caso ocorre poucos dias após o episódio do cão “Orelha”, em Santa Catarina, que gerou comoção nacional e reacendeu o debate sobre responsabilidade, empatia e políticas públicas de proteção animal. Em Canaã, segundo os estudantes, a resposta inicial do poder público foi marcada por demora.
Assim que perceberam o estado crítico do animal, os alunos acionaram o Centro de Zoonoses. De acordo com relatos, o primeiro contato não resultou em providências imediatas. Diante da situação, organizaram uma mobilização: registraram imagens, enviaram mensagens a setores da Prefeitura e reforçaram as ligações telefônicas.
Somente após diversas tentativas, uma servidora informou que um protocolo havia sido aberto para o resgate. Ainda assim, até as 18h30 — mais de cinco horas após o início da vigília — nenhuma equipe havia comparecido ao local.
Comerciantes da região afirmaram que o cão estaria naquela situação há pelo menos cinco dias.
Indignação com estrutura e remuneração
Durante a mobilização, estudantes também questionaram a estrutura e a eficiência do serviço. Entre os pontos levantados está a remuneração de profissionais lotados no órgão. Segundo dados públicos disponíveis no Portal da Transparência, um médico veterinário vinculado ao Centro de Zoonoses pode receber cerca de R$ 39 mil mensais — valor que se aproxima da remuneração de um ministro do Supremo Tribunal Federal.
Para os alunos, a questão não é salarial, mas de proporcionalidade entre investimento público e qualidade da prestação do serviço.
“Um servidor que recebe quase R$ 40 mil precisa ter zelo, compromisso e responsabilidade com a população”, afirmou uma estudante do terceiro ano, que declarou sonhar em cursar Medicina Veterinária e ingressar no serviço público “para trabalhar com afinco e dedicação”.
Os estudantes também criticaram o horário de funcionamento do setor, que, segundo relataram, se encerraria às 14h. Para eles, um município em crescimento acelerado não pode contar com um serviço de vigilância sanitária e controle de zoonoses com atendimento restrito a meio expediente.
Vigília até o anoitecer
Mesmo com o passar das horas e a chegada da noite, parte dos estudantes permaneceu ao lado do animal, aguardando atendimento. Até as 18h30 de quinta-feira (19), nenhuma equipe havia comparecido ao local, e o cão continuava deitado na calçada de uma das principais vias da cidade.
Atualização
Na manhã desta sexta-feira (20), uma equipe do Centro de Zoonoses esteve na Avenida Weyne Cavalcante e realizou a captura do animal errante, que foi encaminhado para avaliação e cuidados médicos no Centro de Zoonoses da Prefeitura Municipal.
A reportagem segue aguardando posicionamento oficial da Secretaria Municipal responsável pelo setor para esclarecer os protocolos de atendimento, o horário de funcionamento e os prazos de resposta em ocorrências semelhantes.
Acompanhe outras notícias em blogdaanareis.com.br e siga o @blogdaanareis nas redes sociais para ficar bem informado. Sintonize também a FM Canaã, a melhor rádio da região, em fmcanaa.com.br













Deixe o Seu Comentário