Piloto e empresário morreram na queda do bimotor; informação sobre fortuna em espécie ainda não foi confirmada oficialmente e aumenta tensão no meio político às vésperas das eleições.
A queda de um avião bimotor que seguia para o sudeste do Pará ganhou novos e explosivos contornos. Além da morte dos dois ocupantes da aeronave — o piloto Diego Arantes Rezende, de 38 anos, e o empresário Ebert Rodrigues Sousa, de 45 anos —, uma informação obtida durante a apuração desta reportagem aponta que o avião transportaria aproximadamente R$ 10 milhões em dinheiro vivo.
A existência desse montante dentro da aeronave, porém, ainda não foi confirmada oficialmente pelas autoridades. A informação foi repassada à reportagem por fonte que acompanha o caso e deverá ser objeto de apuração policial.
Caso o valor seja oficialmente confirmado, uma das principais questões da investigação será estabelecer a origem, os responsáveis, a finalidade e o destinatário final de uma quantia dessa dimensão, sobretudo porque o voo tinha como destino uma propriedade rural no município de Parauapebas e ocorreu na reta final das Eleições 2026.
A informação provocou forte repercussão e apreensão nos bastidores políticos de Parauapebas e de municípios da região.
DOIS MORTOS E UM VOO COM DESTINO AO PARÁ
O acidente aconteceu na quarta-feira, 30 de setembro, na zona rural de Divinópolis do Tocantins, na região oeste do estado, nas proximidades do Assentamento Mulher Cidadã, a cerca de 130 quilômetros de Palmas.
A aeronave era um Neiva EMB-810D Seneca III, prefixo PT-RSN. O voo havia começado em Goiânia e passou por Gurupi, no sul do Tocantins, antes de seguir em direção ao Pará. Informações repassadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) aos bombeiros indicam que o destino informado era a Fazenda Serra Grande, no Pará.
Segundo informações levantadas pela reportagem, o planejamento do voo também indicaria como alternativa o aeródromo da Fazenda Lagoa das Antas, em Canaã dos Carajás. Esse ponto, no entanto, precisa ser confirmado pelas autoridades responsáveis pela investigação aeronáutica.
Diego Arantes Rezende e Ebert Rodrigues Sousa morreram no acidente. Dados do Registro Aeronáutico Brasileiro divulgados pela imprensa indicam que Diego possuía 50% do avião, enquanto a outra metade estava registrada em nome da Prime Administração Ltda., empresa administrada por Ebert.
Ebert morava em Goiânia e atuava empresarialmente nos segmentos de comunicação visual, montagem e instalação de sistemas, equipamentos de iluminação e sinalização.
HORAS DE BUSCAS ATÉ A LOCALIZAÇÃO DOS DESTROÇOS
O trabalho de resgate revela a dimensão do acidente.
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 13h10, depois de receber informações sobre a queda de uma aeronave na zona rural de Divinópolis do Tocantins. As equipes iniciaram as buscas e somente às 17h36 conseguiram localizar os destroços, em uma região de vegetação e de difícil acesso.
As condições em que o bimotor ficou após o impacto dificultaram ainda mais a operação. Os bombeiros precisaram realizar cortes em diferentes pontos da fuselagem para conseguir retirar os dois ocupantes. O trabalho de desencarceramento terminou por volta das 22h30. Os corpos foram posteriormente encaminhados ao Instituto Médico Legal.
Não houve sobreviventes.
As circunstâncias e causas do acidente deverão ser esclarecidas pela investigação aeronáutica.
R$ 10 MILHÕES EM DINHEIRO VIVO?
É justamente sobre o que estaria sendo transportado no bimotor que surgem agora as maiores interrogações.
Fonte ouvida pela reportagem afirma que aproximadamente R$ 10 milhões em espécie estariam dentro da aeronave.
Até a publicação desta matéria, entretanto, não foi localizada divulgação oficial das autoridades confirmando a apreensão desse dinheiro ou o valor informado pela fonte.
Por isso, embora a informação seja considerada relevante e esteja sendo apurada, não é possível neste momento tratá-la como fato oficialmente comprovado.
Se confirmada, a presença de tamanha quantidade de dinheiro em um voo destinado a Parauapebas abrirá uma nova frente de questionamentos: de onde saiu o dinheiro? A quem pertencia? Por que estava sendo transportado em espécie? Quem o receberia no Pará? E qual seria sua finalidade?
São perguntas que somente a investigação poderá responder.
MILHÕES EM ESPÉCIE APREENDIDOS NO PARÁ ÀS VÉSPERAS DAS ELEIÇÕES
O episódio ocorre em um momento especialmente sensível. Nas últimas semanas, a Polícia Federal intensificou operações no Pará envolvendo grandes movimentações de dinheiro em espécie, algumas delas diretamente relacionadas a investigações sobre possíveis crimes eleitorais.
Em 16 de setembro, a PF informou oficialmente a apreensão de R$ 2,5 milhões em espécie, após duas pessoas retirarem o dinheiro de uma agência bancária em Belém. Segundo a investigação, os valores seriam provenientes de desvio de recursos públicos e teriam como possível destino o financiamento irregular de campanha eleitoral.
No dia 27 de setembro, em outra investigação sobre possíveis crimes relacionados às Eleições 2026, foram encontrados R$ 87.475 em espécie. Parte do dinheiro estava em envelopes identificados com nomes, acompanhados de uma relação contendo nomes e registros de assinaturas de recebimento. A PF informou que busca esclarecer a origem e a destinação dos valores.
Dois dias depois, em 29 de setembro, outra diligência da Polícia Federal em Belém resultou na prisão em flagrante de seis pessoas. Na ocasião, foram apreendidos R$ 300 mil em espécie, retirados de uma agência bancária e, segundo a PF, repartidos entre investigados ainda dentro da instituição. A corporação apontou indícios de possível destinação do dinheiro à corrupção eleitoral.
Também em setembro, mas em investigação de natureza distinta, a Operação Sonar encontrou R$ 1,2 milhão em espécie durante apuração sobre suspeitas de desvio de recursos públicos, exigência de vantagens indevidas e lavagem de dinheiro em uma empresa pública federal sediada em Belém.
Os episódios não devem ser automaticamente relacionados entre si. Eles demonstram, entretanto, o volume expressivo de dinheiro vivo que vem sendo encontrado pelas autoridades no Pará justamente no período que antecede as eleições.
APREENSÃO NOS BASTIDORES DE PARAUAPEBAS
Em Parauapebas, o acidente e principalmente as informações ainda sob apuração sobre o suposto transporte de aproximadamente R$ 10 milhões provocaram preocupação e intensa movimentação nos bastidores.
Segundo informações obtidas pela reportagem, Ebert Rodrigues Sousa mantinha relações empresariais na região, e parceiros de negócios de diferentes estados já estariam avaliando os reflexos de sua morte sobre compromissos e contratos em andamento.
Eventuais vínculos contratuais específicos com órgãos públicos, assim como valores, empresas envolvidas e períodos dos contratos, precisam ser documentalmente confirmados antes de qualquer associação com o dinheiro que supostamente estava no avião.
A morte de Ebert Rodrigues Sousa e Diego Arantes Rezende, por si só, já transforma o episódio em uma tragédia aérea. A informação de que milhões de reais poderiam estar sendo transportados na aeronave acrescenta uma dimensão policial e política que exige investigação rigorosa.
Agora, as respostas dependem das autoridades.
Se for confirmada oficialmente a existência do dinheiro, será fundamental esclarecer sua origem, propriedade, finalidade e destino final — e verificar se havia ou não qualquer relação com atividade empresarial, contratos públicos ou com o processo eleitoral.
Até que essas respostas apareçam, o caso permanece cercado de perguntas e sob forte atenção no sudeste do Pará.
Carlos Magno
Jornalista – DRT/PA 2627
Com informações de veículos de imprensa do Tocantins e do Pará e dados oficiais da Polícia Federal.
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