Em conversa exclusiva com Christiane Amanpour, presidente brasileiro abordou relações com os Estados Unidos, tarifas comerciais, soberania, eleições e a defesa do multilateralismo antes de abrir o Debate Geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas
NOVA YORK (EUA) – Às vésperas de ocupar uma das tribunas mais importantes da diplomacia mundial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu, nesta segunda-feira (21), em Nova York, entrevista exclusiva à jornalista Christiane Amanpour, uma das mais reconhecidas âncoras da CNN Internacional.
A entrevista ganhou especial relevância por ocorrer poucas horas antes da abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22), quando Lula fará o tradicional primeiro pronunciamento entre os chefes de Estado e de governo.
Em sua conversa com Amanpour, Lula abordou temas que estão no centro das relações internacionais e que deverão também repercutir durante a semana de alto nível das Nações Unidas.
Entre os principais assuntos tratados estiveram as relações entre Brasil e Estados Unidos, as tarifas impostas pelo governo norte-americano a produtos brasileiros, a defesa da soberania nacional, o cenário eleitoral brasileiro e o papel do multilateralismo diante das crescentes tensões internacionais.
Relação com os Estados Unidos
Ao tratar das relações entre Brasília e Washington, Lula afirmou que não pretende iniciar uma guerra comercial com os Estados Unidos e reiterou sua disposição para negociar.
O presidente, entretanto, disse que o Brasil poderá adotar medidas com base na Lei da Reciprocidade caso as negociações sobre as tarifas não avancem. Segundo Lula, a prioridade continua sendo a construção de um entendimento por meio do diálogo.
Outro ponto de destaque foi a defesa da soberania brasileira. Lula afirmou que as eleições brasileiras devem ser decididas exclusivamente pelo povo brasileiro e declarou ter pedido ao presidente norte-americano, Donald Trump, que os Estados Unidos não interfiram no processo eleitoral do país.
O presidente brasileiro também criticou o unilateralismo nas relações internacionais e voltou a defender um sistema internacional baseado no diálogo e no multilateralismo.
A análise de Lourival Sant’Anna
A movimentação diplomática em Nova York e as expectativas em torno da Assembleia Geral também ganharam espaço na programação da CNN Brasil.
No CNN Prime Time, apresentado pelo jornalista Márcio Gomes, o analista de Internacional Lourival Sant’Anna participou da cobertura e da contextualização do cenário internacional que envolve a presença de Lula em Nova York e a abertura da Assembleia Geral.
Com sua experiência na cobertura de conflitos, diplomacia e relações internacionais, Lourival Sant’Anna contribui para dimensionar um encontro que ocorre em um cenário mundial marcado por guerras, disputas comerciais, tensões entre grandes potências e questionamentos sobre a capacidade das instituições multilaterais de responder aos grandes desafios contemporâneos.
É justamente nesse contexto que a Assembleia Geral assume dimensão ainda maior.
O mundo volta os olhos para Nova York
Entre os dias 22 e 28 de setembro, representantes dos 193 Estados-membros das Nações Unidas participam do Debate Geral da 81ª sessão da Assembleia Geral. A própria ONU define a Assembleia como o “epicentro da diplomacia internacional”, espaço em que chefes de Estado e de governo apresentam prioridades e discutem respostas coletivas para questões relacionadas à paz, ao desenvolvimento sustentável, aos direitos humanos e às mudanças climáticas.
O tema deste ano é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.
Trata-se de um dos momentos de maior concentração de poder político e diplomático do planeta. Durante alguns dias, Nova York transforma-se no centro das relações internacionais, reunindo presidentes, primeiros-ministros, chanceleres, diplomatas e representantes de praticamente todas as regiões do mundo.
É nesse ambiente que temas capazes de definir os rumos da política internacional são colocados frente a frente: guerras e conflitos, segurança internacional, mudanças climáticas, pobreza, fome, desenvolvimento sustentável, comércio, democracia, soberania das nações e a necessidade de fortalecimento das instituições multilaterais.
Brasil abre o Debate Geral
O Brasil possui uma posição singular nesse encontro. Desde 1955, o país tradicionalmente abre o Debate Geral da Assembleia Geral da ONU. Em 2026, caberá novamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizar o primeiro discurso entre os líderes nacionais, seguido pelo representante dos Estados Unidos, país anfitrião da sede das Nações Unidas.
A expectativa é de que Lula volte a defender o multilateralismo, a negociação como instrumento para solução de conflitos, o respeito ao direito internacional e a reforma das instituições de governança global, incluindo o Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Assim, a entrevista concedida a Christiane Amanpour ultrapassa o ambiente de uma conversa jornalística convencional. Realizada na véspera do discurso brasileiro na ONU e transmitida por uma das principais redes internacionais de notícias, ela colocou posições do governo brasileiro diante de uma audiência global justamente quando Nova York se transforma no principal palco da diplomacia mundial.
A partir desta terça-feira, os olhos do mundo estarão voltados para o plenário das Nações Unidas.
E, mais uma vez, será a voz do Brasil a primeira a ecoar da tribuna no início do Debate Geral da Assembleia Geral da ONU.
Carlos Magno
Jornalista – DRT/PA 2627
Credenciado junto à Organização das Nações Unidas – ONU
Acompanhe outras notícias em anareisnoticias.com.br e siga o @anareisnoticias nas redes sociais para ficar bem informado. Sintonize também a FM Canaã, a melhor rádio da região, em fmcanaa.com.br
Newsletter gratuita
Gostou desta matéria? Receba as próximas no seu e-mail.
Sem custo. Você pode cancelar quando quiser, em um clique.







Deixe seu comentário