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Romper o silêncio após violência sexual e enfrentar marcas que permanecem

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Romper o silêncio após violência sexual e enfrentar marcas que permanecem
Imagem/Reprodução IA

A vítima foi violentada por um homem que não conhecia, buscou atendimento médico e psicológico e precisou enfrentar o medo para retomar a rotina

A violência sexual deixou marcas profundas na vida de Bronze, personagem fictícia desta série especial, que decidiu romper o silêncio depois de ser vítima de um homem com quem nunca havia mantido qualquer tipo de relação. O episódio ocorreu no Dia Internacional da Mulher, uma data que, para ela, passou a carregar uma lembrança dolorosa.

Bronze conta que não conhecia o agressor e que nunca havia tido qualquer vínculo com ele. Depois da violência, porém, precisou lidar não apenas com as consequências imediatas do abuso, mas também com o medo e a insegurança que passaram a fazer parte de sua rotina.

A decisão de buscar ajuda veio como uma forma de enfrentar a situação. Bronze procurou uma médica que ela conhece e recebeu a orientação para procurar imediatamente uma unidade hospitalar, onde pudesse realizar os procedimentos necessários. Em seguida, foi encaminhada para uma delegacia para registrar o boletim de ocorrência e permitir que as providências cabíveis fossem adotadas.

“Decidi que ia buscar ajuda.”, relata.

O processo, no entanto, não terminou com a denúncia. Segundo Bronze, a violência provocou impactos emocionais significativos. O medo de encontrar novamente o agressor ou sofrer uma nova agressão chegou a interferir diretamente em sua rotina profissional.

Ela conta que passou a ter receio até de sair para trabalhar, diante da possibilidade de o homem voltar a procurá-la após a denúncia.

Para enfrentar as consequências emocionais da violência, iniciou acompanhamento psicológico. O suporte profissional foi importante para ajudá-la a reconstruir, aos poucos, a rotina e lidar com os traumas provocados pela experiência.

Quando a violência não deixa marcas no corpo
 Foto: Emanuel Jadir

O sofrimento foi tão intenso que Bronze chegou a temer desenvolver depressão. “Isso afetou a minha vida de um tanto que pensei que fosse ter até uma depressão. Eu tinha medo até de sair para trabalhar porque pensava que essa pessoa poderia me agredir a qualquer momento por eu ter denunciado.”, relata.

Bronze reconhece que o acompanhamento psicológico contribuiu para que pudesse retomar a própria vida, mas afirma que a experiência deixou uma marca que não desaparece completamente. Para ela, o medo permanece como uma lembrança do que aconteceu.

Romper o silêncio

Ao decidir compartilhar sua história, Bronze também pretende alertar outras mulheres sobre a importância de não naturalizar ou silenciar situações de abuso.

Para ela, nenhuma mulher deve ser submetida a qualquer forma de violência, independentemente de quem seja o agressor. “Nenhuma mulher merece passar por qualquer tipo de abuso, seja de quem for. Isso é uma lembrança péssima que a pessoa vai carregar para o resto da vida.”, afirma.

A mensagem que deixa para mulheres que estejam enfrentando uma situação semelhante é de resistência e de busca por apoio. Bronze reconhece que superar o trauma não acontece de maneira imediata, mas defende que é preciso avançar gradualmente.

“Como diz a minha psicóloga, não é fácil, mas a gente não pode se entregar. Temos que, aos poucos, enfrentar os traumas.”, observou.

A história de Bronze mostra que os efeitos da violência sexual podem ultrapassar o momento da agressão e permanecer na vida da vítima por muito tempo. Buscar atendimento, denunciar e contar com uma rede de apoio são passos importantes para enfrentar as consequências da violência e reconstruir, pouco a pouco, a sensação de segurança.

Apoio: a personagem deste relato recebeu assistência dos serviços oferecidos pelo Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), integrado à Secretaria Municipal da Mulher e Juventude (Semmju) de Canaã dos Carajás.

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