A violência contra a mulher pode se manifestar de diferentes formas e produzir consequências que ultrapassam o momento das agressões. Como parte da programação do Agosto Lilás, esta série especial, intitulada “Cinco histórias, uma luta, muitas vozes”, apresenta,
no período de 17 a 21 de agosto, cinco relatos de mulheres que vivenciaram diferentes formas de violência, incluindo agressões psicológicas, físicas, sexuais e violência vicária.
Ao longo das histórias, as personagens relatam experiências de violência e os caminhos percorridos para buscar proteção, denunciar os agressores e romper o ciclo de agressões.
Para preservar a identidade das entrevistadas e garantir o sigilo dos relatos, a série utiliza sobrenomes fictícios inspirados em metais: Cobre, Ouro, Ferro, Prata e Bronze. As histórias são apresentadas a partir dos relatos das próprias personagens, respeitando o anonimato e preservando informações que possam permitir sua identificação.
Identificada pelo sobrenome fictício Ouro, a personagem é natural de Canaã dos Carajás e relata ter sofrido violência psicológica durante os oito anos em que manteve um relacionamento com o companheiro. Segundo ela, os episódios de violência se intensificaram em setembro de 2025, quando o homem passou a consumir álcool com maior frequência. À época, o casal morava na comunidade Quatro Bocas, em Parauapebas, no sudeste do Pará.
Durante o relacionamento, Ouro relata ter sido submetida a xingamentos, ameaças e episódios recorrentes de violência psicológica. O companheiro dizia que iria agredi-la e chegou a ameaçá-la de morte.
As agressões verbais se repetiam mesmo após promessas de mudança. “Ele ficava me xingando, falando que ia me bater, que queria quebrar minha cara. Ele falava que ia mudar, mas nunca mudava”, conta.
A entrevistada afirma que a convivência com as agressões afetou sua autoestima e seu estado emocional. Ela relata que passou a chorar com frequência, a se culpar pelas situações vivenciadas e chegou a pensar em tirar a própria vida.
Em um dos episódios relatados, o companheiro teria ameaçado agredi-la na presença do filho. Ouro afirma que as situações de violência ocorriam principalmente quando ele estava alcoolizado, mas ressalta que mesmo ele tendo diminuído o consumo de álcool não impedia que os episódios se repetissem e produzissem consequências emocionais.
“Eu ficava aguentando tudo calada”, disse, com a voz embargada.

A decisão de romper
A ruptura, segundo Ouro, começou quando ela decidiu contar o que estava acontecendo a sua melhor amiga e esta, por sua vez, ficou preocupada e resolveu contar ao pai de Ouro o que estava acontecendo com a filha.
A partir do momento da intervenção do pai que a ajudou, ela afirma ter compreendido que não era responsável pelo comportamento do companheiro e decidiu encerrar o relacionamento.
Após a separação, ela relata ter recuperado a autoestima e passado a se sentir livre. “Eu acho que eu estava tipo numa gaiola, presa. Depois que eu me separei, eu me libertei”, relata.
Mesmo após o fim do relacionamento, os dois mantêm contato por causa dos filhos. Segundo Ouro, ela procura limitar a comunicação com o ex-companheiro às questões relacionadas às crianças. A mãe dela também atua como intermediária no contato dele com os filhos.
Sobre a importância de compartilhar com alguém de confiança quando uma mulher passa por uma situação de vulnerabilidade, Ouro acrescenta que é importante não guardar isso para si, mas, sim, falar. “É sempre bom falar para alguém o que a gente está sentido e procurei minha amiga para desabafar”, concluiu.
Ao recordar o período em que viveu as agressões, a entrevistada deixa uma mensagem para outras mulheres que possam estar passando por situações semelhantes.
“Eu quero que as mulheres se libertem logo, caiam fora desse tipo de relacionamento. Denunciem. Botem um ponto final nisso, porque eu não desejo para nenhuma mulher do mundo o que eu passei. Nenhuma mulher merece viver num relacionamento abusivo.”, concluiu.
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