Pular para o conteúdo
Canaã dos Carajás: 23 °C Chance de chuva: 91% Dólar: R$ 5,08 Euro: R$ 5,71 Sobre nós Contato Facebook Instagram YouTube TikTok
A informação que conecta Canaã dos Carajás ao mundo.
Guia Comercial Minha Conta
Rádio FM Canaã Sua rádio online, em todos os momentos
AO VIVO
Tocando agoraO melhor da nossa região
Início › Brasil
Brasil

O senhor do poder: Davi Alcolumbre e a engrenagem que trava o Brasil

Ouvir matéria
Clique para ouvir
O senhor do poder: Davi Alcolumbre e a engrenagem que trava o Brasil

Artigo – por Carlos Magno

Como um ex-vereador sem diploma universitário, oriundo de um dos estados mais pobres do Brasil, sem projeto claro e sem identidade ideológica, se transforma no político mais poderoso da República?

A resposta não está apenas em Davi Alcolumbre — está no próprio sistema que sustenta figuras como ele.

Nascido em Macapá, em 1977, Alcolumbre tentou caminhos fora da política: trabalhou como instalador de áudio, não prosperou; iniciou um curso de economia, não concluiu. Aos 24 anos, ingressou na política — e venceu. Primeiro vereador, depois deputado federal apenas um ano depois.

Mas foi em Brasília que ele fez sua escolha mais decisiva: entendeu rapidamente que existem dois tipos de políticos — os que aparecem, discursam e ocupam manchetes, e os que operam nos bastidores, controlando o verdadeiro poder.

Alcolumbre escolheu o silêncio estratégico.

Durante três mandatos consecutivos na Câmara, sua atuação pública foi praticamente inexistente: sem protagonismo, sem grandes projetos, sem relevância no debate nacional. Mas, longe dos holofotes, construiu algo muito mais valioso: relações de poder, domínio de bastidores e conhecimento profundo do funcionamento interno do Congresso.

Aprendeu onde está o verdadeiro poder: no controle da pauta, na distribuição de recursos e na capacidade de travar ou destravar decisões estratégicas.

Em 2014, chegou ao Senado. Em 2019, surpreendeu o país ao derrotar Renan Calheiros e assumir a presidência da Casa. A imprensa falou em renovação. Mas o que veio foi o oposto.

Alcolumbre não venceu por ideias. Venceu por método.

Promessas calibradas, acordos silenciosos e uma engenharia política baseada em atender interesses individuais sem permitir confronto entre eles. Um modelo clássico de poder concentrado e opaco.

O auge dessa engrenagem se deu com o chamado orçamento secreto. Entre 2019 e 2022, ao lado de Arthur Lira, Alcolumbre ajudou a operar um mecanismo que permitia a distribuição de bilhões de reais sem transparência, sem critérios técnicos e sem identificação dos autores das indicações.

  • Foram cerca de R$ 28 bilhões em três anos.
  • Recursos públicos transformados em moeda política.

Mas talvez o instrumento mais poderoso de Alcolumbre não seja o dinheiro — e sim o tempo.

Ao controlar a pauta, ele controla o ritmo do país.

E foi exatamente esse poder que ele utilizou de forma decisiva em um dos episódios mais graves e simbólicos da história recente da República: a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal.

Pela primeira vez em 132 anos de história, um indicado à Suprema Corte foi rejeitado pelo Senado.

E isso não aconteceu por divergência jurídica, nem por incapacidade técnica do indicado.

Aconteceu por articulação política.

E, sobretudo, por empenho pessoal de Davi Alcolumbre.

Nos bastidores, o presidente do Senado atuou diretamente para construir o ambiente de rejeição. Trabalhou votos, influenciou senadores, operou silenciosamente para minar o apoio ao indicado e conduziu o processo até um desfecho histórico — e institucionalmente devastador.

Não foi um acidente.

Foi estratégia.

Ao transformar uma indicação ao STF em moeda de negociação, Alcolumbre elevou o nível de interferência política sobre uma das instituições mais importantes da República.

O recado foi claro: nenhuma decisão de Estado passa sem o aval de quem controla o Senado.

O país, mais uma vez, ficou em segundo plano.

Paralelamente, seu nome e seu entorno familiar aparecem, ao longo dos anos, em uma série de investigações, denúncias e suspeitas amplamente divulgadas por veículos de imprensa. Casos que vão desde supostas irregularidades com emendas parlamentares até denúncias de “rachadinha” e operações envolvendo familiares.

Nada disso, porém, resultou em consequências políticas efetivas.

E isso revela mais sobre o Brasil do que sobre o próprio Alcolumbre.

Porque, em um sistema onde quem controla a pauta controla o destino das investigações, o silêncio vale mais do que a verdade.

Em 2025, mesmo com todo esse histórico, Alcolumbre foi reeleito presidente do Senado com 73 votos. Apoiado por governo, oposição e Centrão.

Direita, esquerda e centro — todos convergiram.

Não por convicção. Por conveniência.

Cada grupo recebeu uma promessa. Mas apenas uma foi cumprida: a ampliação do fluxo de emendas parlamentares.

O resto? Ficou no discurso.

E assim se consolida um modelo político onde não importa ideologia, projeto ou compromisso com o país. Importa quem distribui recursos e controla a agenda.

Alcolumbre não é uma exceção.

Ele é um produto.

Um reflexo de um sistema que premia a articulação silenciosa em detrimento da liderança pública, que valoriza a negociação de bastidores acima da transparência e que transforma o interesse coletivo em moeda de troca.

No Brasil, o Executivo governa — mas quem define os limites desse governo é o Congresso. E quem controla o Congresso é quem domina o orçamento e a pauta.

Hoje, esse nome é Davi Alcolumbre.

Amanhã, será outro.

Porque enquanto o sistema continuar o mesmo, os nomes apenas se alternam.

O problema nunca foi apenas o personagem.

É o palco.

Carlos Magno
Jornalista – DRT/PA 2627
Canaã dos Carajás – PA

📱 VEM SEGUIR OS CANAIS DA ANA REIS NOTÍCIAS!

Acompanhe outras notícias em anareisnoticias.com.br e siga o @anareisnoticias nas redes sociais para ficar bem informado. Sintonize também a FM Canaã, a melhor rádio da região, em fmcanaa.com.br

Newsletter gratuita

Gostou desta matéria? Receba as próximas no seu e-mail.

Sem custo. Você pode cancelar quando quiser, em um clique.

Compartilhe: facebook whatsapp x telegram
Davi Alcolumbre Governo política
AnaReis Notícias | anareisnoticias.com.br
Escrito por
AnaReis Notícias | anareisnoticias.com.br
Redatora, colunista e repórter

Leia também

Eugênio Gadelha é o primeiro deputado estadual de Canaã dos Carajás
Canaã dos Carajás
Onda verde e amarela toma conta do Instagram com gesto de “L” e reúne famosos e autoridades
Eleições 2026
Saldo nas bets: bancos têm até quarta-feira para devolver dinheiro aos apostadores
Brasil

Deixe seu comentário

Mais Lidas

1
CEP Canaã dos Carajás: Guia Completo de Todos os Bairros (Atualizado 2026)
24 de abril de 2026
2
CEPs do Bairro Parque dos Carajás – Parauapebas
31 de janeiro de 2026
3
CEPs do Bairro Jardim Europa I e II – Canaã dos Carajás
9 de abril de 2025
4
Como Chegar em Canaã dos Carajás — Guia Completo (Atualizado 2026)
25 de abril de 2026
5
CEPs do Bairro Monte Castelo – Canaã dos Carajás
26 de novembro de 2025

Vagas de emprego

Atendente de Farmácia – RD Saúde | Canaã dos Carajás RD Saúde – Farmácias · Canaã dos Carajás · Não informado
Operador(a) de Caixa – Grupo Diamantes | Canaã dos Carajás Grupo Diamantes · Canaã dos Carajás · Não informado
Recepcionista – Hospital 5 de Outubro | Canaã dos Carajás Rede D'Or – Hospital 5 de Outubro · Canaã dos Carajás · Não informado
Ver todas as vagas →
WhatsApp