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Parauapebas

CPI do “tapa-buraco” em Parauapebas: cinco vereadores assinam, doze se recusam e população cobra transparência

Por AnaReis Notícias | anareisnoticias.com.br | 28 de abril de 2026 | 6 min de leitura | 84 views
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CPI do "tapa-buraco" em Parauapebas

Investigação quer apurar destino de mais de R$ 174 milhões gastos em pavimentação na gestão Aurélio Goiano; falta apenas uma assinatura para instauração

A Câmara Municipal de Parauapebas vive um dos momentos de maior tensão política dos últimos anos. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os mais de R$ 174 milhões gastos em operações de tapa-buraco e pavimentação no município está pronta, mas ainda depende de uma única assinatura para ser oficialmente instaurada. Dos 17 vereadores que compõem a Casa, apenas cinco assinaram o requerimento — e os outros 12 se recusam a apoiar a investigação.

Quem assinou a CPI

Os cinco parlamentares que firmaram o pedido de abertura da CPI são:

  1. Maquivalda Barros (PDT)
  2. Anderson Moratorio (PRD) — presidente da Câmara Municipal
  3. Érica Ribeiro (PSDB)
  4. Fred Sanção (PL)
  5. Zé do Bode (UNIÃO)

Os cinco parlamentares que firmaram o pedido de abertura da CPI são:

A vereadora Maquivalda Barros é quem tem liderado as denúncias, apontando que mais de R$ 174 milhões já foram destinados para obras de pavimentação e melhorias viárias — recursos que, segundo ela, não se refletem na realidade das ruas do município.

Os 12 vereadores que não assinaram

Os seguintes vereadores ainda não aderiram ao pedido da CPI:

  1. Michel Carteiro (PV)
  2. Léo Márcio (Solidariedade)
  3. Laécio da ACT (PDT)
  4. Graciele Brito (UNIÃO)
  5. Leandro do Chiquito (Solidariedade)
  6. Francisco Eloécio (PSDB)
  7. Sargento Nogueira (AVANTE)
  8. Tito do MST (PT)
  9. Elias da Construforte (PV)
  10. Alex Ohana (PDT)
  11. Zé da Lata (AVANTE) — pai do prefeito Aurélio Goiano
  12. Sadisvan (PRD)

CPI do "tapa-buraco" em Parauapebas

Chama a atenção que entre os que não assinaram estão dois vereadores do AVANTE, partido do próprio prefeito Aurélio Goiano, incluindo Zé da Lata, pai do chefe do Executivo. Para que a CPI seja instaurada, é necessário o mínimo de um terço dos parlamentares, ou seja, seis assinaturas.

O cenário nas ruas: caos, prejuízos e mortes

A discussão sobre os gastos com tapa-buraco acontece em meio a uma crise real de infraestrutura. Parauapebas enfrenta um cenário de vias destruídas, com buracos que já causaram acidentes graves e até mortes.

Na PA-160, um motociclista perdeu a vida após bater em um buraco na pista. Relatos de carros destruídos, motos quebradas, pneus estourados e suspensões danificadas tornaram-se rotina entre os moradores. Em um episódio emblemático, um caminhão carregado de cerveja caiu em um buraco, e o proprietário perdeu quase toda a carga.

Tudo isso ocorre em um município cuja arrecadação ultrapassa R$ 3 bilhões — o que intensifica o questionamento popular: para onde está indo o dinheiro?

A retomada do tapa-buraco

Em resposta à pressão popular e às tragédias, a Prefeitura de Parauapebas anunciou a retomada da operação tapa-buraco a partir de 27 de abril, coordenada pela Secretaria Municipal de Obras (Semob). As equipes atuam nos bairros Parque dos Carajás, Beira Rio I e II, Jardim Canadá, na Rodovia Faruk Salmen e nos bairros Guanabara e da Paz.

O prefeito Aurélio Goiano afirmou que “a operação tapa-buraco é essencial para assegurar melhores condições de tráfego, reduzir riscos de acidentes e proporcionar mais qualidade de vida à população”.

Linha do tempo: o histórico de polêmicas com tapa-buraco em Parauapebas

A questão dos gastos com pavimentação em Parauapebas não é de hoje. Uma análise histórica revela um padrão de valores elevados e questionamentos recorrentes:

Gestão Darci Lermen (MDB) — 2017 a 2024

  • 2020: A operação tapa-buraco foi suspensa pela Justiça por suspeita de superfaturamento. O orçamento, que inicialmente era de aproximadamente R$ 40 milhões, saltou para mais de R$ 80 milhões em poucos meses, levantando questionamentos sobre a eficiência e a legalidade dos gastos.
  • 2021: Um novo edital de licitação para serviços de tapa-buraco foi publicado, dessa vez ao custo de R$ 55,5 milhões, dividido em dois lotes (R$ 28 milhões e R$ 27,5 milhões).

Darci Lermen, do MDB, governou Parauapebas de 2017 a 2020 (primeiro mandato) e de 2021 a 2024 (segundo mandato, após reeleição com 57.384 votos — 48,42% dos válidos).

Gestão Aurélio Goiano (AVANTE) — a partir de janeiro de 2025

  • Janeiro de 2025: Aurélio Goiano toma posse como prefeito de Parauapebas ao lado do vice-prefeito Chico das Cortinas (PRD), após vencer as eleições de 2024 com 58,52% dos votos.
  • Novembro de 2025: A bancada de oposição protocola requerimento na Câmara pedindo a convocação de agentes públicos para esclarecer irregularidades no Contrato Administrativo nº 20230451/2023, referente à construção de oito pontes no valor global de R$ 7,8 milhões. O caso mais emblemático envolve a ponte sobre o rio Pulgas, na vicinal Alto Bonito, zona rural do município: foram pagos R$ 1,5 milhão por uma obra que, segundo vistorias no local, nunca existiu. Onde deveria haver um canteiro de obras, foi encontrada apenas uma pequena estrutura antiga de bueiro.
  • Fevereiro de 2026: Na Câmara, a vereadora Maquivalda Barros acusa publicamente a gestão de Aurélio Goiano de pagar R$ 1,5 milhão por uma ponte inexistente. A sessão gera ampla repercussão nas redes sociais.
  • Abril de 2026: A CPI do tapa-buraco é formalizada com cinco assinaturas. Falta apenas uma para atingir o mínimo de seis (um terço dos 17 vereadores). Enquanto isso, 12 parlamentares se recusam a assinar. A população cobra posicionamento.

O que está em jogo

A CPI, caso instaurada, terá poderes para investigar possíveis irregularidades, má gestão e falhas na aplicação dos recursos públicos destinados à pavimentação e infraestrutura viária de Parauapebas. Além do tapa-buraco, a oposição sinaliza que pretende investigar todo o conjunto de obras de infraestrutura realizadas desde o início do mandato de Aurélio Goiano.

Para a população de Parauapebas, que convive diariamente com ruas esburacadas, acidentes e prejuízos materiais, a pergunta permanece: o que os 12 vereadores que se recusam a assinar a CPI estão querendo esconder?


Por Ana Reis Notícias | anareisnoticias.com.br

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