O aplicativo do Banco do Estado do Pará – Banpará – continua causando transtornos e constrangimentos aos seus milhares de clientes. Quase diariamente, o sistema sai do ar e fica inoperante, deixando correntistas em situações vexatórias. Não é de hoje que o sistema do Banpará apresenta problemas.
Em 2024, o sistema operacional do banco ficou uma semana fora do ar, causando um dos maiores problemas já vistos na história do sistema bancário brasileiro. Na ocasião, até o Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA) enfrentou dificuldades no recebimento de custas processuais e exigiu explicações da instituição. O Banpará enviou mensagens via SMS a seus milhares de clientes informando que iria ressarcir amigavelmente os prejuízos causados, para evitar problemas judiciais, orientando que os afetados procurassem a gerência das agências.
Em 2025, durante praticamente todo o ano, o sistema voltou a apresentar instabilidades recorrentes. Agora, em 2026, em pleno período de Carnaval — um dos momentos de maior movimentação financeira — o aplicativo simplesmente não funcionou, deixando milhares de clientes em situação constrangedora.
Relatos nas redes sociais apontam os inúmeros perrengues enfrentados por clientes que não conseguiram acessar suas contas durante todo o período carnavalesco. Muitos tiveram dificuldades para retornar às suas cidades de origem; outros precisaram recorrer a terceiros para pagar hospedagens e despesas, já que o aplicativo não funcionava.
Nesta semana, mais uma vez, o aplicativo até chegou a funcionar, mas saiu do ar sistematicamente por alguns períodos, retornando de forma instável.
Para o especialista em Tecnologia da Informação, Paulo Chaves Castro, o sistema do Banpará parece ultrapassado. Segundo ele, é inadmissível que uma instituição bancária com milhares de clientes opere com um sistema tecnológico tão defasado. O banco precisa investir urgentemente em tecnologia. A decadência do setor tecnológico também é percebida nos caixas de autoatendimento, com equipamentos visivelmente antigos e ultrapassados.
Já o advogado Dr. Lorran Ribeiro dos Santos afirma que não tem dúvidas de que uma enxurrada de ações por danos morais poderá ser impetrada na Justiça, que costuma ser célere diante desse tipo de demanda.
Um economista ouvido pela reportagem foi além: defendeu que o Banpará já passou da hora de ser privatizado. Segundo ele, não é papel de governos estaduais administrar bancos. Os estados deveriam priorizar áreas como infraestrutura, saúde e educação. Ele lembra que estados importantes da federação, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, privatizaram seus bancos estaduais.
O antigo Banco do Estado de São Paulo (Banespa) foi vendido ao Santander em 2000.
O Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj) foi privatizado e posteriormente incorporado ao Itaú na década de 1990.
O antigo Bemge (Banco do Estado de Minas Gerais) foi adquirido pelo Itaú em 1998.
Com esse sistema que inspira desconfiança, os clientes estão tendo que se adaptar. Alguns, ao chegar a um posto de combustível, já pedem ao frentista para passar um valor antecipado no cartão ou no PIX, com receio de abastecer e, na hora do pagamento, o sistema do banco não funcionar. Em supermercados, inúmeros constrangimentos são registrados, com clientes tendo que abandonar compras no caixa por não conseguirem efetuar o pagamento devido a falhas no aplicativo do Banpará.
Instada a se manifestar, a assessoria de comunicação do Banpará, em Belém, optou pelo silêncio. A presidente do banco, Ruth Pimentel Mello, também foi acionada por meio do canal interno “Fale com a Presidente”, mas não respondeu aos questionamentos sobre a deficiência do sistema operacional da instituição.
Enquanto a direção permanece em silêncio, milhares de clientes do Banpará continuam enfrentando, diariamente, constrangimentos no comércio em todo o estado do Pará.
Carlos Magno
Jornalista DRT/PA 2627 e cliente do Banpará desde 2005
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