A rodovia Transamazônica (BR-230) foi interditada ao longo da manhã e até às 16h30 desta terça-feira (23) por trabalhadores rurais da comunidade Diamante, no trecho entre Itupiranga e Marabá. O bloqueio, que ocorreu à altura do Km 34, próximo à ponte sobre o Igarapé Vermelho, era um protesto contra o que os manifestantes descrevem como 12 anos de abandono e a ausência de políticas públicas básicas.
Com o apoio de movimentos sociais ribeirinhos, o grupo fechou a via por volta das 7h da manhã. A principal reivindicação era a presença de autoridades para dialogar sobre as necessidades da comunidade, que incluem desde transporte escolar até acesso à saúde e educação.
“Nós estamos aqui cobrando nossas políticas públicas”, afirmou Conceição Dias dos Santos, uma das líderes do movimento. “Nossas crianças andam 10 quilômetros a pé, não tem um transporte escolar. Toda a vida alegam que não podem dar políticas públicas para nós, e nós somos cidadãos, nós temos direitos”.
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Conceição Dias dos Santos, uma das líderes do movimento, destacou as reivindicações
Impasse judicial e reivindicações
O cerne do impasse, segundo os manifestantes, é uma disputa judicial. Eles afirmam que as autoridades municipais alegam a existência de uma liminar que impede a realização de obras e a oferta de serviços na área. No entanto, a comunidade garante que essa decisão foi derrubada em 2021 e que possuem documentos da Justiça Federal que comprovam a regularidade da área junto ao patrimônio da União.
“Eles falam na rádio, em rede social, que tem essa liminar que não pode nos ajudar, e nós sabemos que isso não é verdade”, declarou Conceição. “Nós estamos regularizados pelo patrimônio da União, nós temos documento, então nós temos direito a participar, a ser incluído em todas as políticas públicas”.
Os manifestantes exigem uma reunião com o prefeito de Itupiranga, Wagno Godoy (Progressistas), além de representantes do Ministério Público, Defensoria Pública, INCRA e secretários municipais de Educação, Infraestrutura e Agricultura. A liberação da rodovia, segundo eles, estava condicionada à negociação de um acordo formal com as lideranças.
Durante o bloqueio, o trânsito foi liberado de forma intermitente, com passagem permitida para ambulâncias, idosos e pessoas com emergências médicas comprovadas.

O que diz a Prefeitura
Ouvido sobre a manifestação, o prefeito de Itupiranga, Wagno Godoy, afirmou que a Prefeitura não pode atuar na área em questão devido aos efeitos de uma decisão judicial, reforçando o impasse jurídico que motiva o protesto.
A reportagem levantou que o bloqueio foi desfeito e a rodovia liberada por volta das 16h30, após negociação mediada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). O prefeito de Itupiranga teria se comprometido a sentar com lideranças do movimento para encontrar uma solução.









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